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21 outubro 2016

MP afirma que Eduardo Cunha tem U$$ 13 milhões escondidos no exterior



CB/D.A PRESS

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tem pelo menos US$ 13 milhões (R$ 40 milhões) em patrimônio oculto e não localizado, segundo a força-tarefa da Operação Lava-Jato no Ministério Público. No pedido que levou à prisão do ex-deputado, os procuradores afirmam que os bens do peemedebista — alvo de duas ações penais, cinco inquéritos e uma ação de improbidade administrativa no caso — são 53 vezes mais valiosos do que ele declarou às autoridades.

Uma frota de oito carros utilizados pela família soma R$ 1,3 milhão. E, para o Ministério Público, ao menos parte foi comprada com dinheiro do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, preso em Brasília por ordem do Supremo Tribunal Federal. Ontem, Cunha passou seu segundo dia na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, cidade onde fez exames no Instituto Médico Legal.

A defesa de Cunha tem alegado que a prisão é ilegal. Ontem, eles preferiram não comentar esse tema específico. “Não vou falar”, afirmou a advogada Fernanda Tórtima. “Só vou falar nos autos.” A defesa de Funaro afirmou que os carros comprados foram “devidamente cobrados” do ex-deputado.

A acusação a que Cunha responde e que o levou à cadeia trata do recebimento de US$ 1,5 milhão em contas secretas na Suíça. Os valores, diz a o Ministério Público Federal, eram parte da propina paga pelo empresário português Idalécio de Oliveira, da Lusitânia Petroleum, a vários agentes políticos e funcionários da Petrobras depois que ele vendeu um poço petrolífero seco para a Petrobras por US$ 66 milhões em Benin, na África. O operador dos subornos era o lobista do PMDB João Augusto Henriques, preso no Paraná.

No pedido de prisão apresentado ao juiz Sérgio Moro em 10 de outubro, os procuradores do MPF lembram que Cunha afirmou ao banco Merril Lynch, em 2008, que tinha US$ 11 milhões em bens. No entanto, ao abrir a conta em nome da offshore Triumph SP, revelou patrimônio de US$ 20 milhões. Seriam R$ 64 milhões, na cotação calculada pela força-tarefa da Lava-Jato, ou seja 53 vezes maior que os R$ 1,2 milhão declarados por ele em 2007.

Até o momento, a Justiça conseguiu obter apenas 2,34 milhões de francos suíços (cerca de R$ 9,4 milhões) em contas de Cunha na Suíça. No entanto, os procuradores entendem que há pelo menos US$ 13 milhões
(R$ 40 milhões) não localizados. “As demais contas suíças foram fechadas pelo ex-deputado federal, sendo que permanece oculto um patrimônio de aproximadamente US$ 13 milhões”, anotam os integrantes da força-tarefa no pedido de prisão.

“Também não se tem conhecimento da localização das possíveis contas existentes em nome de Eduardo Cunha nos Estados Unidos, constando dos documentos suíços que a conta no Merril Lynch em Nova York teria sido fechada no ano de 2008.”

De acordo com o Ministério Público, o ex-deputado mantinha, “até pouco tempo”, uma caixa postal para receber correspondências em Nova York. Para eles, isso “levanta indícios concretos da existência de outras contas ocultas das autoridades públicas”.

Ao abrir uma de suas contas, o ex-deputado informou que os bens tinham origem em aplicações no mercado financeiro local e do investimento no mercado imobiliário do Rio de Janeiro. O defensor de Funaro negou que seu cliente, considerado “operador de propinas de Cunha”, pagou carros para o ex-deputado. “Todos esses carros foram objeto de contrato entre o Lúcio e o Eduardo”, disse Daniel Gerber. “Todos os contratos foram registrados, declarados, oficiados e devidamente cobrados. Não existe absolutamente nada de ilícito nessa situação. O Ministério Público usa isso, neste momento, exclusivamente, para angariar manchete.”

Correio Brasiliense
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