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21 junho 2017

Funaro acusa Temer e diz ter pago Franco e Geddel







Operador confirmou participação de presidente da República e de Eduardo Cunha em acerto ( Foto: Agência Estado )


Brasília. O corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro disse, em depoimento à Polícia Federal, que o presidente Michel Temer fez uma "orientação/pedido" para que uma "comissão" de R$ 20 milhões proveniente de duas operações do Fundo de Investimento do FGTS fosse encaminhada para a sua campanha presidencial de 2014 e, também, para a de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, em 2012



As operações no FGTS eram relacionadas às empresas LLX e BRVias e são investigadas na Operação Sépsis, na qual Funaro foi preso, em julho de 2016.

As empresas beneficiadas foram a BR Vias, da família Constantino, dona da aérea Gol, e a LLX, que hoje se chama Prumo Logística e tem como sócio Eike Batista. As declarações de Funaro, prestadas no dia 14, foram anexadas aos autos da Operação Patmos, que investiga Temer, e tornadas públicas ontem.

Funaro também afirmou ter ouvido do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que havia "conhecimento do presidente Michel Temer a respeito da propina sobre o contrato (para construção) das plataformas entre a Petrobras Internacional e o grupo Odebrecht".

Funaro, que está preso no complexo penitenciário da Papuda (Brasília) e estaria negociando delação, afirmou que pagou "comissão" ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência e um dos principais aliados do presidente Temer, Moreira Franco.

O dinheiro, segundo o corretor, estava relacionado à liberação de recursos do FI-FGTS em 2009, para a empresa Cibe.

Nessa época, Moreira Franco ocupava a Vice-Presidência de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, gestora do Fundo de Investimento.

Geddel

O corretor afirmou também ter pago, em espécie, um total de R$ 20 milhões ao ex-ministro Geddel Vieira Lima por "operações" na Caixa. Os recursos eram "comissões" por liberações de crédito a empresas do grupo J&F.

Segundo Funaro, foi ele quem apresentou Geddel ao empresário Joesley Batista. O peemedebista era então vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa, e o grupo J&F, holding que controla a JBS, segundo Funaro, tinha interesse em obter linhas de créditos junto a esta instituição. A primeira operação efetuada foi a liberação de crédito para a conta empresarial.

"Após essa fez mais empréstimos e outras operações de crédito para a própria J&F e outras empresas do grupo, como Vigor, Eldorado, Flora e Seara".

O corretor de valores afirmou ainda que trabalhou na arrecadação de fundos das campanhas do PMDB em 2010, 2012 e 2014 e que estima que tenha arrecadado cerca de R$ 100 milhões para o PMDB e partidos coligados.

O ministro Moreira Franco negou a acusação. As defesas de Temer e Geddel Vieira Lima ainda não se manifestaram sobre os relatos de Funaro.

DN
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