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21 outubro 2017

Pedra da Andorinha localizada em Taperuaba(Sobral), é opção de turismo







A Reserva está instalada em 600 hectares de matas, rochas e relativa oferta de água e recebe nos fins de semana visitantes de todas as idades ( Foto: Marcelino Júnior )


Sobral. Criada em 2010, com o objetivo de abrigar o refúgio natural de milhares de andorinhas e preservar o Bioma Caatinga, tão característico da região do Semiárido, onde se localiza o município de Sobral, no Norte do Ceará, a Reserva Refúgio de Vida Silvestre Pedra da Andorinha, localizada no distrito de Taperuaba, a 70 quilômetros da sede do Município, tem garantido, ao longo dos últimos anos, condições necessárias à existência e reprodução de diversas espécies de animais silvestres e da diversificada flora desta região.

A variedade ecológica e também biológica protegida por lei faz da Reserva um abrigo natural, tanto para animais característicos da região, como para as agitadas andorinhas; aves migratórias, de pequeno porte, que têm refúgio certo de seus predadores na época do verão, quando buscam o local ideal para sua reprodução.

> Achadas espécies tidas como extintas

O nome "Pedra da Andorinha" se dá pela grande incidência de espécies variadas dessas aves que buscam, numa rocha de cerca de 180 metros, além do calor típico da região, alimento, e parceiros dispostos ao acasalamento. A rocha, onde os encontros "amorosos" cheios de acrobacias aéreas ocorrem, em meio à grande algazarra, possui orifícios entre suas paredes íngremes, que servem de abrigo para os ágeis pássaros que saem, em bandos, para demoradas revoadas, por volta de 5h30 da manhã e no fim da tarde, quando o sol começa a se pôr, formando um cartão postal vivo, que brinda o visitante com um espetáculo único, acompanhado pela chegada da noite.

Espécies

De acordo com o geólogo Célio Cavalcante, que visitou a região, "por aqui circulam de 11 a 14 tipos de andorinhas, brasileiras, três das quais apenas no verão. Há espécies que costumam se refugiar aqui e, no verão, migram para o Sul, rumo à Patagônia", explica.

No Ceará, o período mais comum onde ocorrem as revoadas de andorinhas fica entre os meses de junho e julho, logo após a quadra chuvosa, quando os bandos se destacam no céu com seus piados, muitas vezes ensurdecedores. Esse tipo de pássaro raramente dorme, apenas diminui o ritmo de seu metabolismo, o que o deixa sempre em alerta contra aves invasoras de seu território, assim como as predadoras, como é o caso do Carcará, ave de rapina característica da região, que ataca as desavisadas andorinhas em pleno voo. Quando o assunto é postura de ovos, as pequenas aves chegam a colocar de 2 a 5 deles, também chocados pelo macho, que ajuda na montagem do ninho.

Ao nascer, os filhotes são alimentados, até por cerca de um mês, quando estão prontos para ganhar os céus acompanhados de perto pelo restante da família, unida, até que o novo indivíduo esteja completamente independente.

A Reserva, de responsabilidade da Autarquia Municipal de Meio Ambiente (AMA), está instalada em 600ha de matas, rochas e relativa oferta de água. O local recebe, nos fins de semana, visitantes de diversas idades, que chegam em grupos, em busca de sossego e passar momentos de aventura, longe do estresse e agitação das cidades.

Sem a algazarra das andorinhas, que passam a maior parte do dia fora, o único barulho que se ouve durante a caminhada é o do vento forte, circulando por entre os arbustos, ou o piado de um pássaro, planando ao longe, e, com certeza, tendo uma visão privilegiada de toda a extensão da Reserva.

O passeio completo, com diversas pausas para descanso, dura de duas e meia a três horas (a partir das 7h da manhã e às 16h), onde as pessoas são conduzidas por trilhas abertas, por entre a vegetação, na busca por formações rochosas e outras belezas da fauna e flora. Em cada parada, num dos seis pontos de visitação, são ministradas para os turistas pequenas aulas sobre meio ambiente e a importância da preservação.

Ecoturismo

De acordo com o gestor da Reserva, Francisco Ávila Mendes, o ecoturismo deve ser potencializado nos próximos anos. "O município, por meio da AMA, já tem alguns projetos que vão valorizar bastante a nossa área de ecoturismo, com a criação do nosso Corredor Ecoturístico, formado pela Unidade de Conservação, juntamente com as fontes termais da comunidade Olho D'água do Pajé, próxima daqui, e o Sítio Arqueológico da Pedra do Sino. Estes são alguns exemplos de riqueza natural que a região tem a oferecer a quem deseja conhecer esse lado do Estado". Além do atendimento gratuito a quem queira se aventurar pelas trilhas mata adentro, ou testar a resistência na subida das muitas rampas rochosas, para vislumbrar seus encantos, o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Pedra da Andorinha recebe grupos variados de pessoas, assim como as turmas de alunos da rede pública municipal ou universitários, com visita agendada e guiada. São cerca de oito turmas, por mês, com uma média de até 40 alunos cada.

Quando o assunto é pesquisa de campo na área científica, cerca de seis a oito pesquisadores visitam a Reserva, pelo menos uma vez a cada mês, em qualquer dia da semana. Segundo o gestor da Reserva Francisco Ávila Mendes, "vale ressaltar que a Pedra da Andorinha tem como objetivo principal a pesquisa científica, mas recebemos também grupos bem variados, com interesses distintos em relação à Unidade de Conservação, como o ecoturismo, por exemplo, que tem crescido a cada ano".

Pesquisa

Cercada por monólitos, estruturas geológicas constituídas por uma única e maciça pedra ou rocha, ou ainda partes dessas pedras, dispostas umas sobre as outras, a Unidade de Conservação possui categoria Refúgio da Vida Silvestre, que a coloca como a única no Ceará com esse perfil, e incluída entre as 25 reservas no Brasil com essa denominação.

Vez ou outra, a Pedra da Andorinha acolhe pesquisadores da Universidade Vale do Acaraú (Sobral), Universidade Federal do Ceará (UFC) e Institutos Tecnológicos, que realizam atividades de campo. Entre os anos de 2015 e 2016, a Unidade recebeu a visita de uma equipe de pesquisadores da Universidade de Évora, em Portugal, tendo à frente a professora Dra. Marízia Clara de Menezes Dias Pereira, que realizou estudos sobre o bioma Caatinga.

Acompanhada por botânicos e acadêmicos do Curso de Ciências Biológicas da UVA, a comitiva estudou a vegetação nativa para realizar inventários florísticos, recolher informações sobre as diferentes fisionomias, estrutura e composição vegetal da Caatinga, para análise dos aspectos fitogeográficos e fisionômicos das espécies abundantes na região. Esse tipo de trabalho é possível com a assinatura de um Termo de Cooperação Técnica, pela AMA, firmado com diversas universidades interessadas nessa possibilidade.
DN
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