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15 agosto 2018

Deputados divergem sobre segundo senador







Deputado Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa, disse que os deputados aguardam uma orientação sobre o caso ( Foto: José Leomar )


As declarações do presidenciável Ciro Gomes (PDT) na última segunda-feira, ao Diário do Nordeste, de que iria procurar outro nome ao Senado, além do de Cid Gomes (PDT), para votar no dia 7 de outubro próximo, ecoaram, ontem, entre parlamentares da base política do governador Camilo Santana (PT), apoiador da postulação do senador Eunício Oliveira (MDB) à reeleição.

Ciro passou a segunda-feira em Fortaleza, mantendo contatos com correligionários do seu grupo político, mas não esteve com o governador Camilo Santana. Como o irmão, Cid Gomes, está nos Estados Unidos desde a semana passada, os principais interlocutores de Ciro foram o prefeito Roberto Cláudio e o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, ambos do PDT, que não se manifestaram sobre as declarações de Ciro sobre voto para o segundo senador junto com Cid Gomes.

Ontem, na Assembleia, porém, enquanto pedetistas e petistas falavam em reunião de dirigentes dos seus respectivos partidos para decidirem sobre apoio à outra candidatura a senador, além de Cid, representantes do PCdoB falavam de resistência ao nome de Eunício Oliveira (MDB) no partido.

Presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Zezinho Albuquerque (PDT), ontem, quando questionado sobre o impasse, disse que o PDT só tem um candidato ao Senado, que é o ex-governador Cid Gomes. Segundo ele, os deputados da base aliada estão aguardando uma reunião para tratar do assunto, visto que ainda não foi recomendado à base governista o apoio a nenhuma outra candidatura.

"Não fui convidado ou convocado para nenhuma reunião para se falar sobre se recomendar outro senador. Estou aguardando. Tenho dois líderes, o Cid e Ciro, e eles têm que reunir o partido para dizer a posição do partido", afirmou Zezinho. Segundo ele, se houver recomendação de determinado nome, os deputados precisam saber.


"Vi na imprensa que o Ciro vai recomendar um nome, e vamos aguardar isso. Temos um projeto, um partido que tem um candidato a presidente. Pertenço a esse partido e tenho que seguir o que o partido determina", frisou Zezinho. Ao Diário do Nordeste, Cid Gomes disse que já havia se pronunciado sobre o assunto. "Recomendarei voto em Eunício em homenagem ao governador Camilo Santana", reafirmou.

Delicado

O líder do Governo na Assembleia, Evandro Leitão (PDT), afirmou que o PDT lançará apenas Cid Gomes ao Senado, mas acredita que cada um decidirá seu segundo candidato. No entanto, ele destacou que nada foi fechado na legenda pedetista. Líder do PDT na Assembleia, Ferreira Aragão salientou que a discussão ainda não foi feita em nível de partido. "Esse é um assunto delicado, porque envolve partidos com ideias diferentes em nível nacional. Nesse momento, precisamos ter muita calma".

O presidente do PDT no Ceará, André Figueiredo, porém, foi enfático. "O PDT só tem um candidato ao Senado, Cid Gomes. O outro fica a escolha dos nossos filiados". Na pré-campanha, ele era um dos nomes apontados pelo presidente nacional do partido, Carlos Lupi, e pelo próprio Ciro Gomes para disputar a outra vaga ao Senado, enquanto Cid defendia apenas um nome.

José Sarto (PDT), por outro lado, lembrou que Cid Gomes já havia recomendado, por questões de aliança no Estado, "e por respeitar o Camilo e o prefeito Roberto Cláudio", que houvesse apoio à postulação de Eunício Oliveira. "O contexto nos aponta para apoiamento ao senador por razões administrativas".

Apoiamento

Segundo ele, não se pode fazer no Ceará o que o PT fez em nível nacional, quando, em acordo com o PSB, isolou a candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. "O PT fez uma brincadeira de mau gosto com a Nação, e isso terá implicações para o Brasil muito maiores. Tem aí as dores do PT, as dores do MDB, mas no Ceará temos a liderança maior do Ciro, do Cid, do Camilo e do Roberto Cláudio, mas que, nesse aspecto, a posição para o Estado do Ceará aponta para um apoiamento ao Eunício".

Presidente interino do PT no Ceará, o deputado Moisés Braz disse que, apesar de o Encontro de Tática Eleitoral ter definido que o partido estaria coligado ao PDT, apoiando Cid Gomes ao Senado, realizará uma plenária para definir como deve se posicionar quanto a outra vaga. Afirmou ainda que não acha correto que a legenda não se posicione oficialmente sobre a outra vaga. A intenção é liberar os liderados para votarem de acordo com a consciência de cada um, mas sem anular o voto.

Carlos Felipe (PCdoB) destacou que o partido deve votar em Cid Gomes para uma das duas vagas ao Senado, mas para outra a sigla ainda não se posicionou oficialmente. "Vejo pessoas que são muito resistentes a votar nele (Eunício Oliveira) e outras que acham importante a parceria que teve entre ele e o governador", disse. "Se fosse por mim, eu deixaria livre. Até porque tem gente que não quer apoiar de jeito nenhum quem apoiou o 'golpe', quem votou com o (Michel) Temer", para afastar a ex-presidente Dilma Rousseff.

DN
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