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06 setembro 2018

Polícia Federal aponta corrupção de Temer, Padilha e Moreira Franco



PALÁCIO DO PLANALTO afirmou em nota que investigação é "a mais absoluta perseguição ao presidente" FABIO RODRIGUES POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL

No relatório final do inquérito sobre repasses de R$ 10 milhões da Odebrecht para integrantes do MDB, a Polícia Federal (PF) concluiu pela existência de indícios de que o presidente Michel Temer (MDB) cometeu crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.



O documento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) ontem e também indica a prática dos mesmos crimes pelos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia). Outro citado é candidato ao governo de São Paulo pelo MDB, Paulo Skaf. No caso dele, a PF aponta indício de prática de caixa 2.



O caso está relacionado com o jantar no Palácio do Jaburu, em 2014, e que foi detalhado nos acordos de delação de executivos da Odebrecht. Então vice-presidente, Temer teria participado do encontro em que os valores foram solicitados.



No caso do presidente, a PF mapeou a entrega de R$ 1,4 milhão para João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo do emedebista. Para sustentar a tese, a PF ouviu o doleiro Alvaro Novis, responsável pelas entregas, e anexou uma conversa em que o próprio Lima aparece em ligação para a empresa de Novis em dias das entrega dos valores.



"Pelo teor da conversa, resta inconteste que, ao ser informado sobre a chegada da encomenda, João Baptista Lima Filho informou que estava distante do local, solicitando que o horário fosse remarcado para as 15 horas, informação que acabou se refletindo nos diálogos mantidos via Skype", diz trecho do relatório.



A ligação para a empresa do doleiro foi às 10h25min de 19 de março de 2014. Às 11h35min, Lima ligou para um celular em nome de Temer e, às 11h37min, o amigo de Temer recebeu outra ligação da empresa do doleiros responsável pelas entregas. Logo após esta conversa, às 11h51min, Lima voltou a ligar para Temer com quem falou por cerca de cinco minutos.



Além na entrega no dia 19, a PF mapeou outras duas realizadas nos dias 20 e 21. Sobre Skaf, o relatório da PF aponta que o candidato recebeu R$ 5.169.160,00 em 2014 por meio de Duda Mendonça como forma de custear gastos de campanha eleitoral não declarados.



O Palácio do Planalto afirmou que a conclusão do inquérito "é um atentado à lógica e à cronologia dos fatos". "A investigação se mostra a mais absoluta perseguição ao presidente", diz a nota.



O ministro Eliseu Padilha disse que não comentaria. Moreira Franco informou que não solicitou valores à Odebrecht e que "as conclusões da autoridade policial se baseiam em investigação marcada pela inconsistência". Skaf afirmou que todas as doações estão registradas na Justiça Eleitoral.

Agência Estado



NÚMEROS



1,4

milhão de reais teria sido entregue a João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo de Temer, conforme inquérito da Polícia Federal

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