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19 novembro 2018

Casas de Sementes garantem a autonomia dos agricultores em Sobral






Com 63 anos de idade, Francisco Lopes, morador da Comunidade Sítio Contendas, no distrito de Jordão, em Sobral, ainda se aventura na roça para plantar milho, feijão e fava. Após uma quadra chuvosa favorável, segundo ele, agora é hora de aguardar por um novo período de plantio, a partir de janeiro do próximo ano, quando as chuvas devem voltar a banhar o Estado trazendo esperança renovada para o homem do campo.

Assim como seus antepassados, Francisco recorre a sementes crioulas, variedades desenvolvidas, adaptadas ou produzidas por agricultores familiares. As sementes, passadas de geração em geração, fogem da tecnologia transgênica, que produz alimentos geneticamente modificados. "Eu vejo como vantagem manter a qualidade da nossa semente, sem mistura. Elas são saudáveis e reconhecidas como melhor opção de plantio, até para preservação da nossa forma de produzir".

Assim como Francisco, os agricultores familiares na região Norte têm recorrido ao estoque de sementes para garantir a subsistência. Mantidas, anualmente, em casas de sementes, essas culturas são preservadas para que não desapareçam pelo desinteresse em seu cultivo, ou que sejam engolidas pela tecnologia que tem dominado o campo nos últimos anos.

Outra vantagem do estoque é a garantia do controle e qualidade na produção de suas próprias variedades nativas, o que representa uma certa independência em relação às empresas produtoras de sementes. A certeza de manutenção dos melhores exemplares em local seguro também pode representar uma saída contra as perdas referentes a problemas climáticos, como falta ou excesso de chuva. No caso de perda de uma safra, os agricultores ainda podem contar com os grãos estocados.

Atrasos

Antes do estoque coletivo, os agricultores do Jordão dependiam do repasse de sementes pelos programas dos governos Federal e Estadual, o que gerava atrasos. "Esse sistema era ruim, porque não atendia nossas necessidades, por chegar muito fora do tempo. Muitas vezes chegávamos a receber as sementes a partir de março, quando o plantio deveria ter sido feito em janeiro, quando a terra começa a receber pancadas de chuva. Com a Casa de Sementes São José, já pegamos o que precisamos em dezembro", relata Luiz do Nascimento, coordenador do empreendimento.


De acordo com João Batista Cruz, coordenador do Projeto Rede de Intercâmbio de Sementes de Sobral (Ris), "o importante para o agricultor é a autonomia de ter sua própria semente garantida para o período do inverno. Ele pega o que precisa, no início de janeiro, e devolve ao banco, após a colheita, por volta do mês de setembro, cerca de 25% do que utilizou em sementes".

DN
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