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25 novembro 2018

Paulo Guedes para empresários: meta é o imposto único






Este blog teve acesso a um áudio de uma reunião que juntou na sexta-feira passada, 23, em Brasília, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, e um grupo de empresários não identificados na gravação. Na abertura do encontro, Guedes disse que todo o esforço do futuro Governo Bolsonaro, na área da economia, será no sentido de reduzir, eliminar e simplificar os impostos. “Nós somos liberais. Em vez de 40 impostos, a gente quer ter um imposto único federal”.

Paulo Guedes afirmou que a ideia envolve também o fim das contribuições sociais – como PIS, Cofins e CSLL, trocando-os por um imposto único federal. “É o que a gente quer”, disse ele aos empresários. E citou como exemplo um jantar em um restaurante, cuja conta é de R$ 100, mas a ela será acrescentado o valor do novo e único imposto, o que levaria a conta para R$ 100,03. “É não declaratório, você não precisa declarar. Vai ter o Imposto de Renda, este você declara uma só vez por ano, você vai lá e declara. O resto é um imposto único federal, nós estamos tentando ir nessa direção” – salientou, justificando que tudo isso “é para criar emprego, estimular o crescimento”.

O futuro ministro da Economia explicou que, nos últimos 30 anos, prevaleceu no Brasil “a pauta social-democrata: os gastos saíram de 20% do PIB e foram para 45% do PIB; os impostos saíram de 25% do PIB e foram para 36% do PIB, os juros ficaram altos todo esse tempo, houve instabilidade porque os gastos nunca pararam de crescer, e a nossa pauta é exatamente o reverso disso”.

Guedes continuou falando com desenvoltura: “Os impostos hoje estão em 36% do PIB. A nossa ideia, em 10 anos, é baixar para 25% do PIB”. Para fazer isso, “primeiro você precisa controlar o gasto. Essa máquina devoradora chamada Brasil, essa máquina pede sacrifícios. O Governo tem de ser enxuto, eficiente, de custo baixo. Quando você olha hoje as principais despesas, elas são todas ligadas ao excesso de Governo. A primeira grande despesa é a Previdência. Você entra lá e vê: um milhão e meio de funcionários públicos causam um déficit que é a metade dos 30 milhões de aposentados (do INSS). Então já tem um buracão. O segundo grande gasto são os juros da dívida. É o passado do Governo, é um governo que combateu a inflação sem cortar gastos. O resultado foram os juros na lua o tempo inteiro”.

Ele resumiu: “Vamos reduzir, extinguir e simplificar impostos, vamos cortar gastos, vamos fazer a reforma da Previdência. Quem está errado é o setor público, não são vocês (os empresários, a iniciativa privada)”. Segundo Paulo Guedes, o setor produtivo e o Governo têm de reunir-se “a cada dois meses”.

Mais adiante, Guedes declarou que “o Brasil foi cartelizado”, citando o setor bancário como exemplo. E brincou, dizendo que no Brasil tudo foi feito para beneficiar “os seis dos bancos, os seis das empreiteiras, inclusive os da Lava Jato”. Disse que é preciso combater a falta de verticalização do sistema financeiro. É preciso haver competição entre os bancos. “Melhor do que um banco, só dois; melhor do que dois, três, e vai embora. O que promove a eficiência é a competição. Nós temos que promover isso”.

O futuro ministro reconheceu que “no início será um pouco mais difícil”, mas com o tempo vocês vão ter boas notícias”.

Paulo Guedes emitiu sua opinião sobre a eleição de Bolsonaro: “O Povo votou com uma certa sensação de que não quer mais o “establishment” que está aí”, sugerindo que há empresários que se acostumaram a viver sob o abrigo do Governo, exemplificando com a reação de entidades da indústria que se manifestaram contra a inclusão do Ministério da Indústria e do Comércio no futuro Ministério da Economia. “É o cara que quer ficar alí, na moitinha, no seu feudo. Você pega o jornal, vamos fazer tal mudança, aí o cara diz ‘sou contra, sou contra, isso é muito ruim!’ Opa, já sei: Sistema S”.

Para Paulo Guedes, o futuro Governo “tem muita convicção do que precisa fazer”. E disse que é “difícil trabalhar no Brasil, vendo as desigualdades, vendo como são os salários deles (dos funcionários públicos), como são os salários nossos (da empresa privada), como são as aposentadorias generosas, como são as condições de trabalho. Olha os prédios de Brasília, e a gente já entendeu tudo. É Versalhes! O povo tá lá fora com a guilhotina. Desta vez, o povo elegeu um presidente diferente”.
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