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17 março 2019

Meruoca: Santuário da Santa Cruz da Romana inspira devoção e fé católica


Foto- Marcelino Júnior





Um local que inspira contemplação e devoção. Assim é o Santuário da Santa Cruz, localizado na Serra da Meruoca, na região Norte do Estado. Instalado em um espaço onde o verde se espalha, a Cruz da Romana, como é conhecido, emana uma vibração de paz e harmonia. No entanto, o local remonta uma história de dor e redenção que começou ainda no final do século XVIII, quando uma escrava foi torturada e morta pelo filho de seu dono.

Tendo feito votos de castidade, Romana, a personagem que teve vida e morte recontadas ao longo dos séculos, até os dias atuais, não imaginava que de seu sofrimento pudesse manter viva no imaginário local tanta inspiração. Inclusive com relatos de milagres. "Sempre que posso, eu venho aqui rezar. Já tive muitas graças alcançadas", afirma Maria Gorete Leite (57), moradora da cidade de Alcântaras, também localizada na Serra.


Ex-votos
A imagem em madeira do membro inferior deixada por pessoas como Dona Gorete, em uma prateleira na capela erguida em homenagem a Romana, se trata de um ex-voto. Um presente dado pelo fiel ao seu santo de devoção em consagração, renovação ou agradecimento de uma promessa alcançada.

Esse tipo de expressão que materializa partes do corpo que estavam adoecidas e foram curadas, pode ser representada em esculturas de madeira, modelagens em argila, cera, ou ainda pinturas, desenhos ou fotografias, que enchem as prateleiras da pequena capela de uma ponta a outra. É lá que os romeiros visitam, pagam suas promessas e renovam votos de devoção em agradecimento às graças alcançadas.

No santuário erguido no Sítio Brás, uma propriedade particular com acesso livre para visitação, principalmente, nos fins de semana, se encontra a famosa Cruz da Romana, local onde o corpo da jovem de cerca de 20 anos, como a história conta, teria sido enterrado. Ao redor, o santuário guarda a memória da escrava considerada por muitos uma heroína.

O templo foi construído em 2002 pelo casal Francisco e Luiza Marilac Machado, donos do sítio transformado pela cultura religiosa em ponto de devoção e fé, assim como referência para romeiros, estudiosos e turistas que desejam saber mais sobre a história da escrava que perdeu a vida, tendo como ideal a castidade e a reclusão.

"Por um olhar sociológico, não deixa de ser uma história romantizada, mas ela nos impressiona pela força dessa mulher que foi torturada e não se deu por vencida. Os relatos contam que suas últimas palavras foram de perdão. Isso nos serve de reflexão até nos dias de hoje. Esse personagem traz uma certa vivacidade, por ser negra e mulher, mostrando sua força em uma época que as mulheres não tinham muita representatividade", explica a socióloga Stefany Araújo, que visita o lugar pela primeira vez.

De acordo com o padre Francisco Alves Magalhães, considerada uma pessoa religiosa, "a jovem Romana tentou fugir dos assédios do filho do dono da fazenda, até que na ausência do pai, o jovem quis possuir sexualmente a escrava. Ele foi ferido por ela e revidou com bastante violência, chegando a martirizá-la".

Romana teve seus olhos perfurados e apanhou até a morte no tronco. Com o passar dos anos, uma pessoa ou outra vinha na cova para rezar, até que essa atitude foi tomando corpo, chegando a relatos de milagres até os dias atuais. Padre Magalhães explica ainda que, como a mulher não foi canonizada, não poderia ter uma igreja em seu nome. "Daí, o santuário ter sido batizado de Santa Cruz", finaliza o sacerdote.

DN
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