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02 abril 2019

Farmácias do Ceará vão elevar preços dos remédios em até 15 dias




ESTABELECIMENTOS aguardam nova tabela da indústria farmacêutica para poderem aumentar os valores dos remédios (Foto: J. Freitas/ABr)

O preço dos remédios vendidos com receita subirá até 4,33% no Brasil. No Ceará, o aumento chegará completamente a farmácias em, no máximo, 15 dias. Isso porque o varejo aguarda a nova tabela da indústria farmacêutica para repassar ao consumidor final. Já o percentual aplicado sobre o produto dependerá de cada estabelecimento. O reajuste, que entrou em vigor ontem, é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), do Ministério da Saúde (MS).

De acordo com Maurício Filizola, diretor-tesoureiro do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado (Sincofarma), algumas empresas conseguem segurar o acréscimo em razão de um estoque robusto. "Na medida em que as farmácias vão recebendo os novos valores é que elas podem operacionalizar, o que leva de uma semana a 15 dias", estima. Entram no cálculo fatores como a inflação brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), variação cambial e tarifas de energia.


Segundo a CMED, será uma correção igualitária para os três grupos de insumos: os de maior concorrência, moderada e concentrada. Atualmente, mais de 12 mil apresentações de medicamentos são comercializadas no País. Joseph Vasconcelos, professor do Departamento de Teoria Econômica da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que o segmento não tem indicador próprio.(Foto: )


"Na inexistência de um índice oficial de preços específico para o setor de fármacos, a empresa reguladora tenta captar a inflação de custo adicionando alguns componentes ao IPCA para se chegar ao percentual de aumento a ser autorizado", esclarece. São levados em conta então os insumos usados pela indústria farmacêutica, como energia e componentes químicos comprados no mercado externo. O reajuste é aplicado para equilibrar as receitas e os custos do setor.

De acordo com a última Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação dos remédios na despesa orçamentária foi de 2,3%, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em 2018.

A aposentada Maria Aridne Girão, 77, sabe bem do aperreio que é precisar destinar parte da sua renda para medicação. Ela gasta R$ 300 da sua aposentadoria para comprar fármacos mensalmente. "Parece que sobe de dois em dois meses", relata. Os frequentes aumentos observados por ela ocorrem devido a inflação dos produtos farmacêuticos, que ficou em 3,16% na RMF, nos últimos 12 meses.
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Em nota, o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) destacou que o reajuste "não acarreta aumentos automáticos e imediatos". Érico Veras Marques, pesquisador da área de finanças pessoais e comportamentais da (UFC), acredita que a saída é uma boa saúde financeira. "O consumidor está passando pelas altas da conta de energia, plano de saúde, medicamentos, e está num ambiente onde não tem aumento de salário. Enquanto o ambiente econômico não melhora, o consumidor tem que tomar cuidado no processo de endividamento".Clique na imagem para abrir a galeria

Regra

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Para aplicar o reajuste, as empresas fabricantes devem encaminhar as informações de vendas realizadas no segundo semestre do ano passado e informar o percentual de ajuste que pretendem aplicar, não podendo ultrapassar o teto.AILA Braga, 56, dona de casa, fala sobre a alta dos medicamentos
Despesa a mais


Peso no orçamento

Nem os programas sociais aliviam a despesa com medicamentos no orçamento familiar da dona de casa Aila Braga, 56. Ontem, foi o dia em que ela não encontrou o remédio concedido pelo Programa Farmácia Popular, que tem como objetivo subsidiar alguns medicamentos. "Ainda assim, com o desconto, são R$ 500 por mês em medicação. É muito caro", relata.

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