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31 março 2020

Avanço do coronavírus ameaça eleições municipais





Ocrescimento no número de casos de covid-19 no Brasil começou a ameaçar o calendário eleitoral brasileiro, que prevê votação em outubro. De acordo com o Ministério da Saúde, o pico da doença, que já registra 1.546 casos confirmados no País e 25 mortes, deve se estender de junho a julho, com possibilidade de estabilização somente a partir de setembro.

Os partidos têm até o meio do ano para realizarem convenções e definirem seus postulantes. Ontem, o titular da pasta, Henrique Mandetta, defendeu o adiamento das eleições de 2020 e a aprovação de um mandato "tampão" para prefeitos e vereadores.

A ideia foi rejeitada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ). "Eleições começam dia 15 de agosto. Vamos focar agora no tema da saúde. Aliás, área em que o Mandetta vai muito bem. Na hora correta vamos cuidar da eleição", disse o deputado.

Para pré-candidatos à Prefeitura de Fortaleza, no entanto, é possível que o avanço do novo coronavírus tenha impacto no calendário.

Principal nome da oposição ao prefeito Roberto Cláudio (PDT), o deputado federal Capitão Wagner (Pros) admitiu apreensão. "Estamos muito preocupados com a crise. Não sabemos nem se teremos eleição neste ano. Já cancelamos todas as agendas para evitar qualquer tipo de aglomeração", afirmou.

Para Wagner, há chance de mudança no pleito, sim, mas ainda "é cedo" para discutir hipotética alteração. "Nem deve ser nossa principal preocupação agora. Neste momento, a prioridade é o combate à doença", que tem 125 casos no Ceará. "A saúde já era importante, juntamente com o desemprego. A crise de agora vai afetar principalmente esses dois temas" na campanha, acrescenta.

Deputado federal pelo PT e líder da minoria na Câmara, José Guimarães informa que a sigla já suspendeu todas as suas atividades públicas, como prévias, encontros e consultas. No dia 5 de abril, a executiva da legenda em Fortaleza escolheria o nome do seu representante na corrida ao Paço.

"Vamos ter que rever esses prazos. Temos reunião com Lula e Gleisi (Hoffmann) amanhã (hoje)", afirma. O petista analisa, porém, que "não dá pra discutir adiar a eleição agora". "É loucura", continua Guimarães. "Podemos ter uma tragédia social no País, e parece que não está ecoando nas paredes do Planalto".

Potencial candidato pelo Novo, o empresário Geraldo Luciano também considera prematura "qualquer avaliação em relação ao processo eleitoral". Para ele, "a prioridade é proteger a população dos males que podem ser causados pelo vírus".

Geraldo pondera, todavia, que, "no momento certo, precisaremos discutir como está a saúde pública, qual o grau de satisfação do cidadão em relação a ela e, principalmente, o que pode ser feito para melhorar, mas não agora".

Nome do PV na disputa pela Prefeitura, o deputado federal Célio Studart avalia que "crise que se inicia com o coronavírus deve, sim, impactar o calendário eleitoral, haja vista que a nação passa por uma preocupação maior que o rito democrático", com reflexos diretos na pauta dos candidatos.

Presidente do PSL e colega de Câmara dos Deputados, Heitor Freire diz que, embora o número de casos do novo coronavírus seja expressivo, "ainda não temos como prever até quando vai durar o período de quarentena e de que forma ela vai interferir na agenda política de 2020".

O cientista político Cleyton Monte defende que a pandemia terá consequências profundas nas eleições, sejam adiadas ou não. "A primeira coisa que vai impactar é como esses gestores coordenam esse esforço de crise", responde. "Neste momento, a forma como o prefeito coordena as ações vai dizer da avaliação desse governo, e essa avaliação terá relação direta desse político ou a reeleição do seu candidato."

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