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16 junho 2020

Macrorregião de Sobral tem mais caso de Covid-19 do que 13 estados






Legenda: O Hospital de Campanha Francisco Alves, em Sobral, foi aberto por conta da demanda da Covid-19 no Município
Foto: Luiz Queiroz



No último fim de semana o governador do Estado, Camilo Santana (PT), anunciou a prorrogação de lockdown em quatro cidades (Sobral, Camocim, Acaraú e Itarema) da região Norte por mais sete dias. A medida mais rígida é justificada pelo expressivo número de casos do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Na região, os índices preocupam.

A macrorregião de Sobral, composta por 55 municípios, já tem mais casos da Covid-19 do que 13 estados do Brasil. Conforme balanço da plataforma IntegraSus, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), a macrorregião já concentra 14.629 registros, número superior aos estados do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Sergipe, Rondônia, Piauí, Acre, Paraná, Goiás, Tocantins, Roraima, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.




Quando restringimos os dados para o número de óbitos em decorrência da doença, a comparação para com os demais estados do Brasil é ainda mais alarmante. Com 510 mortes até a tarde de ontem (15), a macrorregião já tem mais casos do que 14 estados brasileiros e Distrito Federal.

"Isso preocupa e, desde o início, já alertávamos", enfatiza a presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Sayonara Cidade. "Fizemos uma reunião com todos os secretários da região para debater esse cenário", completa. O presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Aprece), Nilson Diniz, pondera ser preciso avaliar os números de forma a observar se a dinâmica atual continua a apresentar a mesma tendência de crescimento ou se já dá mostras de redução.

"É importante que se possa analisar a partir das últimas semanas: quantos confirmados? Quantos se internaram? Isso vai demonstrar se o volume aumentou, estabilizou ou diminuiu", pontua. Para ele, essa análise vai nortear as ações de enfrentamento ao coronavírus, como medidas restritivas de isolamento, e auxiliar as decisões das autoridades sanitárias no que tange a ampliação de leitos nos hospitais.




Preocupada com o elevado número de casos, a Aprece articulou um diálogo entre três representantes dos quatro municípios que estão sob medidas mais rígidas de isolamento social: Camocim, Itarema e Acaraú. "Discutir tática, cooperação e aproximação", explica Diniz. Outro ponto ressaltado durante o encontro foi a condição atual do sistema de saúde na região Norte.

Com a estabilização dos casos em Fortaleza, as cidades sem leitos para pacientes graves, ou com saturação nas vagas, poderão enviar pacientes para a Capital. "No começo de junho, como já havia uma diminuição, pedimos que houvesse a abertura de Fortaleza para a região Norte", revela Nilson. Essa abertura garante, segundo ele, maior capilaridade no atendimento.

Salto

Mas, o que explica essa curva ascendente na região? Para Regina Carvalho, secretária da Saúde de Sobral, Município que concentra o segundo maior número de pessoas infectadas no Estado, esse cenário é fruto do volume de testagem, que hoje chega à média diária de 350. Até agora já são nove mil exames realizados. "Os testes são muito direcionados. Não são feitos aleatoriamente. Só quem tem sintomas faz, e respeitamos o período de sete dias. A possibilidade de ser positivo é bem alta. Hoje, mais de 50%", completa.

Outro fator levantado por Regina, é a proximidade dos municípios da região com Fortaleza, primeiro epicentro da doença no Ceará. Na capital cearense, que concentrou os primeiros casos da Covid-19, moram muitos profissionais que trabalham em Sobral, ressalta Carvalho. "Professores universitários e médicos, por exemplo, viajavam semanalmente".

A médica Luana Barbosa vai além. Ela diz que um "relaxamento inicial da população" pode ter contribuído para o salto nos casos. A profissional considera que "medidas de isolamento mais rígidas, que já estão sendo adotadas, são positivas", mas alerta sobre a atuação conjunta da população. "Tem de haver um contribuição de todos", alerta.

Ocupação

O cenário fica ainda mais delicado quando se analisa a taxa de ocupação dos leitos nos hospitais que são referência no tratamento da doença. Hoje, Sobral conta com 126 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) apenas para Covid-19. A taxa de ocupação gira em torno de 96%. No Hospital Regional Norte (HRN), que conta com 105, a taxa de ocupação está em 93,33%.

DN 
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