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28 fevereiro 2021

"Os pacientes estão vindo de forma mais grave" diz Dr. Vicente, coordenador da UTI de Covid-19 em Sobral





Legenda: Profissionais da saúde recomendam a intensificação dos cuidados de prevenção da Covid-19 para evitar a contaminação da doença
Foto: Héricles Gomes




Em meio ao cenário de crescimento dos casos da Covid-19 no Ceará, o médico e atual coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Covid-19 do Hospital Regional Norte, em Sobral, Dr. Vicente Leite, relata preocupação com o ritmo de propagação. O sentimento decorre devido à falta de vagas nas UTIs da unidade de saúde na manhã deste sábado (27), assim como o aumento na quantidade de pacientes buscando atendimento.

Além disso, ele também aponta que o nível de agravamento da doença tem ocorrido com maior rapidez, assim como tem sido registrado um maior tempo de internação para cada quadro de contaminação. “O paciente deteriora muito rápido e está sendo muito difícil. Isso tem ultrapassado a nossa capacidade de receber a demanda”, relata.


“A gente percebe que os pacientes estão vindo de forma mais grave. Querendo comparar este segundo momento com o primeiro, percebemos que há uma virulência bem maior sob o ponto de vista do acometimento. Já chegam bem mais graves e isso preocupa demais”, observa.



Como forma de evitar que cearenses com Covid-19 em quadros graves fiquem sem atendimento, o médico acredita que é necessário redobrar os cuidados de prevenção ao novo coronavírus e antever “tragédias anunciadas”. "Porque um paciente do município adoecendo, não vai ter mais vaga na (unidade) regional para receber”, alerta.



“Lockdown” no interior

A compreensão da urgência do cenário epidemiológico já é sentida por prefeituras do Ceará. Nos municípios de Mombaça, Santa Quitéria e Meruoca, por exemplo, o “lockdown” já foi adotado. A medida mais rígida busca conter o crescimento da curva de casos positivos da Covid-19 nas localidades.

Para a secretária de saúde de Meruoca, Gessilene Duarte, a adoção do fechamento de comércios e estabelecimentos e a determinação de limite de pessoas ajudam a evitar a superlotação dos leitos disponíveis nas unidades de atendimento.


“A nossa preocupação é de não conseguir atender toda a nossa população e Sobral já está colapsando, não tem mais vagas. Temos medo dos pacientes precisarem de vaga, e nós não conseguirmos mandar (pacientes para lá). O nosso maior medo é que as pessoas venham a morrer no município por falta de uma assistência e de uma transferência”, aponta.



Além dos tratamentos em pacientes confirmados com a doença, a titular da pasta também explica que os profissionais realizam ações de orientação à população, apontando a necessidade de redobrar os cuidados. Em ocorrências suspeitas, o morador pode buscar as unidades de saúde do município para que o caso seja registrado e acompanhado.

DN 
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