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11 dezembro 2021

Funcionário com 20 anos de empresa morre na fila de demissão





Funcionário com 20 anos de empresa morre na fila de demissão


Ele foi acolhido por guardas municipais que trabalham no local e chegou a ser atendimento pelo Samu, mas não resistiu

Por FolhaPress

1Foto: Divulgação/Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública Municipal de Guarulhos



FERNANDA BRIGATTI
SÃO PAULO, SP

José Benedito Pinto tinha 70 anos e há 21 era agente de portaria vinculado à Proguaru, sigla da empresa pública Progresso e Desenvolvimento de Guarulhos, município da Grande SP e vizinho à capital, e cujo fechamento foi determinado pela prefeitura na quinta (9). Nesta sexta (10), morreu enquanto aguardava orientações do processo de demissão.


Depois do anúncio de que a empresa começaria a ser encerrada, a Proguaru convocou cerca de 800 agentes de portaria para a formalização das demissões -a empresa tem cerca de 4.700 funcionários. Eles deveriam ir ao CEU Continental.


José Benedito Pinto esperava, junto a outros colegas, informações sobre as dispensas. Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos de Guarulhos, Rogério de Oliveira, uma manifestação foi organizada no local. A entidade também havia pedido aos trabalhadores que, inicialmente, não fossem até lá ou não assinassem as demissões, pois a liquidação da empresa ainda está em discussão na Justiça.


Enquanto aguardava, Benedito Pinto passou mal. Ele foi acolhido por guardas municipais que trabalham no local e chegou a ser atendimento pelo Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), mas não resistiu. Em nota, a empresa diz que o funcionário tinha problemas cardíacos e que a causa da morte ainda não foi divulgada. “A Proguaru lamenta o falecimento do funcionário José Benedito Pinto, 70, Agente de Portaria, após passar mal nas dependências do CEU Continental. A empresa está prestando toda a assistência aos familiares neste triste momento.”


Benedito Pinto era casado e tinha filhos. Os agentes de portaria da Proguaru trabalhavam principalmente nas portarias de escolas. Eles encaminham os alunos para dentro dos prédios e controlam o acesso. A Proguaru fornecia serviços de zeladoria aos órgãos públicos.


“O protesto estava ocorrendo tranquilamente, havia uma certa aglomeração de pessoas e foi durante esse ato que ele se sentiu mal”, diz Oliveira. A extinção da empresa foi aprovada em legislação no fim do ano passado. Desde então, os funcionários realizam greves e protestos contra a decisão da gestão municipal. Em setembro, cerca de 60% das aulas presenciais na cidade foram suspensas -com a greve dos funcionários, as escolas ficaram sem serviço de limpeza.




A paralisação foi considerada não abusiva no TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região). Em nota divulgada na quinta, a Prefeitura de Guarulhos diz que estudos compravam a impossibilidade de a Proguaru ser recuperada economicamente. “Com o início do encerramento, a Proguaru começa o desligamento dos funcionários de forma gradativa, a fim de quitar todos os encargos trabalhistas, inclusive valores referentes a possíveis estabilidades previstas na legislação vigente.”


Os trabalhos realizados pelos servidores da Proguaru, como limpeza, manutenção e portaria, passarão a ser feitos por empresas privadas, que serão contratadas por meio de licitação, segundo a prefeitura. A Prefeitura de Guarulhos foi procurada por email, nesta sexta, e disse que o assunto está sendo tratado pela Proguaru.

Jornal de Brasilia 
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