Para Ivo, PDT quer enganar ao dizer que Cid apoia RC




O prefeito de Sobral Ivo Gomes (PDT) criticou nesta quarta-feira (3) o próprio partido por imputar um apoio do senador Cid Gomes (PDT), seu irmão, ao ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT), lançado como candidato a governador. A declaração foi feita em publicação nas redes sociais e diz respeito à realização de uma pesquisa de intenção de voto.Foto: Reprodução

Na ocasião, Ivo repercutia notícia que falava sobre o PDT impugnar uma pesquisa por não incluir, no questionário para o eleitor, a menção de apoio de Cid a Roberto Cláudio. “Engraçado, pra não dizer outra coisa, o meu partido. Ignora e alija Cid do processo de escolha do candidato. Agora quer enganar os entrevistados de pesquisa exigindo na Justiça a menção de um apoio do mesmo Cid a RC, apoio esse que simplesmente não existe”, escreveu o gestor.

A pesquisa em questão foi elaborada pela Real Time Big Data, registrada junto à Justiça Eleitoral com o código 06152/2022. No pedido judicial feito pelo PDT, é pontuado que Cid é “a mais expressiva liderança política dentro do estado do Ceará” e que deve ser listado como um apoio do candidato Roberto Cláudio por ser de seu mesmo partido, o que “indiscutivelmente modificaria o resultado”.

Ivo, ao dizer que Cid foi alijado do processo de escolha pelo PDT, faz referência às movimentações internas que definiram o nome do candidato a ser lançado pela sigla ao Palácio da Abolição. Cid apoiava a indicação da atual governadora Izolda Cela – assim como Ivo também o fazia – e permaneceu a maior parte dos últimos meses isolado, sem exercer a articulação política da qual é conhecido dentro da base governista. Conforme declaração recente de Eudoro Santana, pai do ex-governador Camilo Santana (PT), Cid foi “atropelado” no processo, em favor da decisão encampada por Ciro Gomes. O candidato escolhido na votação do diretório acabou sendo Roberto Cláudio.

A situação evidenciou que o racha sofrido pela base do governo também se deu, em certo nível, dentro da família Ferreira Gomes, com Cid e Ivo de um lado e Ciro do outro. A declaração desta quarta do prefeito de Sobral enfatiza a divergência, que parece não ter sido sanada até o momento. Cid e Ivo não estiveram presentes à convenção nacional do PDT, que lançou a candidatura do irmão Ciro, ou à convenção estadual, que oficializou a chapa encabeçada por Roberto Cláudio ao Governo do Estado.

Há, em meio a isso, dúvidas quanto à perspectiva de Cid se engajar na campanha de Roberto Cláudio durante o primeiro turno da disputa. Se diversos observadores do cenário político local apontam que a ausência de Cid foi um dos principais motivos para o esfarelamento do arco de alianças do PDT, a falta do senador durante a campanha pode trazer novos reveses para o grupo.

Os pedetistas mais próximos a Ciro e Roberto Cláudio – incluindo aí o presidente nacional do partido, Carlos Lupi – sustentam que Cid deve contribuir com a campanha do ex-prefeito da Capital em momento oportuno e não deixará de apoiá-lo. Também não têm eleito o senador como alvo de críticas após o racha entre os partidos.

Por outro lado, a campanha petista tem intensificado as declarações elogiosas a Cid: durante a convenção estadual do PT, que ocorreu no último sábado (30), o ex-governador Camilo Santana, o candidato ao Abolição Elmano de Freitas e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizeram questão de enfatizar as contribuições do governo Cid Gomes ao Ceará e, no caso de Camilo, a “amizade inseparável” com o senador pedetista. O movimento tem como pano de fundo a possibilidade de apoio de Cid e aliados à candidatura petista na perspectiva de um segundo entre Elmano e Capitão Wagner (União Brasil).

 O ESTADO 

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