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29 junho 2018

Visita ao Ceará: Bolsonaro ataca Ciro e defende união da direita







No Aeroporto Pinto Martins, no fim da manhã de ontem, com chapéu de coro e a faixa sobre o apoio de Crateús, o pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro, teve o seu primeiro contato com os cearenses nesta visita ao Estado ( Foto: José Leomar )


O deputado federal e pré-candidato à Presidência da República Jair Messias Bolsonaro (PSL) iniciou, ontem, uma visita que inclui uma série de eventos no Ceará e termina hoje (29). Ainda que, em discursos a apoiadores, tenha adotado um tom mais brando, defendendo a união de toda a população brasileira e enaltecendo as raízes cearenses de sua esposa, o presidenciável não poupou críticas ao pré-candidato do PDT, o ex-governador Ciro Gomes, a quem chamou de "sardinha" e "coronel".


Apoiadores, grupo composto em sua maioria de jovens do sexo masculino, esperou o deputado federal no saguão do Aeroporto Internacional Pinto Martins desde as 11h30 de ontem. Ao meio-dia, com a chegada do pré-candidato a Fortaleza, os presentes entoaram palavras de ordem como "mito!" e "eu vim de graça!". Bolsonaro foi carregado nos braços até o lado do fora da estação de passageiros, onde fez pronunciamento e, em seguida, se dirigiu até a Praça Portugal.

Enquanto no Aeroporto centenas de pessoas estavam presentes aguardando o candidato, na Praça Portugal o número foi reduzido. Ao lado do presidenciável estavam o presidente estadual do PSL, Heitor Freire; e o presidente estadual do PROS, o deputado Capitão Wagner, além de outros pré-candidatos cearenses de siglas que devem apoiar Bolsonaro no Estado.

Membros de movimentos de direita do Rio Grande do Norte e do Piauí, além de pessoas do Interior do Ceará, também estiveram no local. Policiais militares fardados foram avistados fazendo "selfies" e gravando vídeos do evento. Crianças e adolescentes também queriam tocar no candidato, como Henrique, 14, que estava na Praça Portugal com o pai, o designer Francisco Ronilson. "Ele é um candidato honesto que vai fazer muita diferença. Tem uma ideologia contrária aos que estão aí", disse Ronilson.

Bolsonaro disse por diversas vezes, na ocasião, que sua família tem sangue "de cabra da peste", uma vez que seu sogro nasceu em Crateús. Com um discurso menos agressivo que em outras aparições públicas, o candidato pregou a união dos brasileiros. "Estamos rodando todo o País com uma proposta de unir, nada de separar. Temos como fazer isso, unir a todos. Os outros podem ter muita coisa, mas só nós temos o povo do nosso lado. Aqui não há divisão de homem, mulher, nordestino, sulista. Junto, o Brasil tende a sair do estado em que se encontra e ser uma grande Nação", defendeu.

Ainda de acordo com o postulante, "se for a vontade de Deus", ele conseguirá ser eleito e escalará "o melhor time" para governar "no rumo a um local em que o Brasil merece, e não nessa situação que se prolonga". O postulante aproveitou que estava no principal colégio eleitoral de Ciro Gomes para tecer críticas ao pré-candidato pedetista.

"Eu sou capitão, mas tem um 'coroné' aí que quer discutir comigo. Quem discute com ele é psiquiatra, afinal de contas, nós sabemos o que ele gosta e onde ele não vai chegar. Ele diz que aqui é terra dele, mas aqui é terra de gente honesta, não é dele, não. Aqui não é lugar de pessoas que passam a noite no mundo da lua", disparou Bolsonaro.

Ele ainda chamou Ciro de "sardinha" e "picareta" e voltou a defender que, caso vença a eleição, as polícias Civil e Militar terão "direito de usar armas, porque vão ter retaguarda jurídica". "Quero avisar ao sardinha que vamos combater a corrupção, aqui não vai ter espaço para gente que ele defende. Ele quer dar indulto para a quadrilha da Lava-Jato e não vai dar, não. Porque ele não vai chegar lá", disse.

Além da Segurança

Bolsonaro afirmou que, se for eleito, o País vai superar problemas não apenas na área de Segurança Pública, mas também em Saúde, Educação e geração de emprego. Segundo ele, os empresários estão "sufocados" com tanta carga tributária no País, o que impede contratações.

Bolsonaro também fez críticas à esquerda e ao chamado "centrão", reafirmando-se como representante da direita. "Não adianta 'esquerdalha' de um lado e 'centrão' do outro. Estamos todos do lado direito, que pensa no Brasil, que pensa na família, pensa em colocar um fim na questão ideológica. De quem quer sepultar o comunismo".

Apesar dos ataques feitos, o pré-candidato defendeu a união de todos. "Somos um só povo, uma só Nação, uma só bandeira. Somos todos iguais, apontando para o futuro do nosso País. Estou aqui porque acredito em vocês. Essa cruz é pesada, mas, juntos, nós a carregaremos. Sem mortadela, sem cachaça e sem maconheiro", discursou.

Alianças

Para o presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno, apesar de pesquisas indicarem que é no Nordeste que o pré-candidato tem mais dificuldade de inserção, o contato mais direto de Bolsonaro com o nordestino tem sido bom para derrubar alguns mitos de sua postulação. "Vamos acabar com essa mentalidade comunista de esquerda. A solução para a pobreza é a riqueza, e Bolsonaro tem boas propostas para o povo".

Sobre diálogo com outros partidos, o dirigente ressaltou que o PSL não vai fazer negociação que fuja dos princípios norteados pelo postulante. "Troca de interesses, política tradicional, estamos fora. Conversamos com todos, mas vamos ver se haverá uma aliança ou não. Se não houver, paciência, vamos sozinhos com o povo", declarou. Sobre diálogos com o PR, Bebianno ressaltou que o debate tem sido feito com alguns filiados, como o senador Magno Malta (PR-RJ), e não com a legenda.

DN
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