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22 dezembro 2019

153 dias de 2019 foram trabalhados pelo brasileiro só para pagar impostos





(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Desde 2016, o brasileiro trabalha 153 dias de cada ano só para pagar impostos. Em 2010, eram 5 dias a menos. O Impostômetro, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), chegou, na última terça-feira, 17, à marca de R$ 2,4 trilhões de impostos pagos pelos brasileiros em 2019. Em todo o ano passado, até 31 de dezembro, o valor pago em tributos somou R$ 2,3 trilhões.

Economista da ACSP, Marcel Solimeo avalia que o valor reflete o índice de inflação. “O esforço que as autoridades vêm fazendo com o teto dos gastos tem tido resultados muito lentos, se considerar a urgência da redução no gasto governamental”, acrescentou. De acordo com o especialista, para mudar esse cenário será necessária mais eficácia no corte dos gastos e na gestão das contas públicas.

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Emílio Alfieri, também economista da ACSP, pontua que a saída encontrada pelo Governo, a médio prazo, foi a Reforma Tributária, que pode ser votada em 2020. A proposta quer simplificar o sistema, substituindo cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), em transição gradual, mas sem redução da carga tributária. Cria ainda o Imposto Seletivo Federal, que incidirá sobre bens e serviços cujo consumo se deseja desestimular, como cigarros e bebidas alcoólicas.

“O País tem mais de 60 tipos de impostos, taxas e contribuições, hoje. Cobra como um país europeu nórdico, mas não oferta excelência nos serviços públicos. O Governo está consciente disso, mas utiliza-se da tributação para diminuir o déficit. Vai demorar anos para equilibrar isso. E olhe que, dez anos atrás, tinha superávit”, lembra Emílio.

Foram 2,4 trilhões de reais pagos em impostos pelos brasileiros neste ano

45,4 bilhões foram arrecadados apenas no Ceará

19,4 bilhões apenas em Fortaleza

“Com a Reforma Tributária, haverá mais clareza de quanto se paga em impostos e mais facilidade para o empresário pagá-los. Pode reduzir a sonegação, inclusive. Num segundo momento, é esperada a redução do percentual de tributação, porque o brasileiro não aceita mais aumentos. A gente já paga imposto demais”, acrescenta o economista Vitor Leitão.

Entenda

O relator do texto, Roberto Rocha (PSDB-MA), dividiu o imposto em duas partes, adotando o chamado IVA (Imposto sobre Valor Adicionado) dual: um com a fusão dos cinco impostos e contribuições federais (IPI, Cofins, PIS, IOF e salário-educação) e outro com a junção do ICMS (estadual) e do ISS (municipal). Além disso, cria um imposto sobre bens e serviços específicos (Imposto Seletivo), de competência federal.

A Câmara discute outra proposta, esta também criando o IBS, mas com a extinção de menos impostos: três tributos federais (IPI, PIS e Cofins), o ICMS, que é estadual, e o ISS, municipal. A proposta da Câmara não prevê incentivos e desonerações. Já a que tramita no Senado isenta de imposto alguns produtos e serviços, como medicamentos, alimentos e saneamento.

O POVO 
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